O Brasil é um país com grande potencial para atrair investimentos privados nacionais e estrangeiros, especialmente na área de infraestrutura. Mas as obras só se concretizarão se o país fizer a reforma da Previdência e outras mudanças estruturais que tragam segurança jurídica e garantia de retorno aos investidores. O alerta foi feito pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, nesta quinta-feira (14).

“Se a reforma da Previdência não for aprovada, há o risco de o governo não fechar as contas, o que representa uma ameaça para o crescimento da economia”, afirmou Robson Andrade, durante a apresentação da edição especial do Informe Conjuntural aos jornalistas. O estudo traz o balanço de 2017 e as perspectivas em 2018 para a economia e a indústria brasileiras.

Robson Andrade lembrou que o governo não tem capacidade para fazer os investimentos necessários para modernizar e ampliar a infraestrutura. Por isso, o país precisa contar com o capital privado nacional ou internacional. “O Brasil tem muitas oportunidades de investimentos em portos, aeroportos, no setor elétrico, em rodovias”, afirmou, defendendo as privatizações.

O presidente da CNI, destacou, no entanto, que, apesar dos recentes avanços na legislação trabalhista e o fim do regime de partilha no pré-sal,  o ambiente de negócios no país ainda é muito difícil e inseguro.  “É preciso avançar mais. O Brasil tem regulação demais”, disse Robson Andrade.

PREVISÕES – De acordo com as previsões da CNI, a economia brasileira crescerá 1,1% e a indústria terá uma expansão de 0,2% neste ano.  A expectativa, no entanto, é que 2018 será um pouco melhor. No ano que vem, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentará 2,6% e o PIB Industrial, 3%.

O Informe Conjuntural prevê ainda que o investimento fechará 2017 com retração de 2,1% – a quarta queda anual consecutiva. Para 2018, a previsão é que os investimentos aumentem 4%. Já o consumo das famílias crescerá 1,3% neste ano, impulsionado, especialmente, pela forte queda da inflação, que preservou a renda dos trabalhadores.

Em 2018, a previsão é que o consumo tenha uma expansão de 2,8%. “O consumo deve ser o objetivo final da sociedade, como resultado do aumento da produtividade e da competitividade da economia; não deve ser entendido como alavanca principal do crescimento. Esse foi o grande equívoco dos primeiros anos desta década”, avalia a CNI.

Por Verene Wolke
Foto e vídeo: José Paulo Lacerda
Da Agência CNI de Notícias